Imagine atravessar o país de ponta a ponta, de Chicago (Illinois) até o píer de Santa Monica (Califórnia), por uma estrada que passa dos 3.900 quilômetros. É isso que a Rota 66 propõe. Ela nasceu nos anos 1920, entra em oito estados e muda de cenário o tempo todo, indo das planícies do Meio-Oeste aos desertos do Sudoeste.

A parte chata é que o caminho antigo foi cortado e substituído por interestaduais em vários pontos, e a sinalização não é uniforme. Por isso vale montar o plano antes: aqui você vê a melhor época, como dividir os dias, que carro pegar, onde dormir e quais paradas muita gente inclui no percurso.

Por que tanta gente sonha com a Rota 66

Durante décadas, a estrada serviu de ligação pavimentada entre o leste e o oeste e de caminho para quem migrava rumo à Califórnia. Depois virou símbolo cultural, citado em canções, filmes e letreiros de neon. A rodovia deixou de existir como via federal em 1985, quando interestaduais mais velozes tomaram seu lugar. Só que boa parte do traçado de antes continua de pé como estrada estadual ou local, com placas marrons de Historic Route 66.

O charme está nas cidades pequenas, nos museus tocados por moradores, nos luminosos antigos e na variedade de paisagens, tudo bem longe do ritmo das interestaduais. Para quem sai do Brasil, a viagem mostra o interior americano, um lado que não aparece nos roteiros pelas grandes metrópoles das duas costas.

Em que época ir e quantos dias separar

Dá para rodar a Rota 66 o ano todo, mas o clima muda muito de um ponto a outro. No verão, Arizona, Novo México e parte do Texas esquentam forte durante o dia, enquanto o Meio-Oeste fica mais ameno. No inverno, neve e gelo podem aparecer ao norte do trajeto (Illinois e Missouri) e nas áreas mais altas do Novo México.

Primavera e começo do outono costumam ser lembrados como fases mais equilibradas, sem calor ou frio extremos, mas isso muda de um ano para o outro. Sobre o tempo de viagem: para fazer a estrada inteira com paradas, conte de duas a três semanas. Encurtar é possível, só que sobra pouco espaço para desvios e o cansaço de dirigir pesa mais.

A estrada por etapas, de Chicago a Santa Monica

Você começa em Illinois, entre cidades pequenas e campos, e logo cruza o Mississippi rumo ao Missouri, onde St. Louis é uma parada que muita gente faz. Depois vem um pedacinho curto do Kansas e, em seguida, Oklahoma, que guarda um dos trechos mais longos e mais bem conservados do traçado original.

No Texas você atravessa o Panhandle, uma região seca e plana. No Novo México, aparecem cidades como Tucumcari e Santa Fé nos roteiros. O Arizona reúne boa parte da estrada histórica que ainda pode ser usada, inclusive perto do Grand Canyon. A Califórnia fecha o caminho pelo deserto do Mojave até o litoral, e em Santa Monica uma placa marca o fim simbólico da viagem.

Carro, documentos e quanto você deve gastar

Como o transporte público não chega à maior parte do caminho, quem faz a Rota 66 costuma alugar um carro lá mesmo. Um sedã ou um SUV compacto atende, e o 4x4 só entra na conversa se você planeja sair do asfalto. Leve a CNH dentro da validade e pergunte à locadora, antes de embarcar, se ela pede também a Permissão Internacional para Dirigir. O guia sobre aluguel de carro nos EUA, nesta mesma categoria, detalha esse assunto.

Os gastos mudam conforme a estação, a categoria do carro e a antecedência da reserva. Como faixa estimada, o aluguel fica em aproximadamente US$ 35 a US$ 80 por dia. Somando combustível, hospedagem e comida, duas pessoas costumam gastar em torno de US$ 100 a US$ 200 diários, de acordo com o padrão de hotel. Trate esses números como ponto de partida: temporada, inflação e oferta de carros alteram tudo.

Dormir em motel antigo ou em hotel de rede

Ao longo do percurso há motéis históricos, hotéis econômicos de rede e, nas cidades maiores, opções de padrão médio e alto. Nas localidades pequenas os quartos são poucos, e nos fins de semana de verão eles somem rápido. Então reserve com alguma folga, nem que seja por telefone ou aplicativo, para não terminar um dia longo de estrada sem ter onde dormir.

Uma combinação comum é alternar: algumas noites em motéis simples, que mantêm o clima retrô, e outras em hotéis de rede em cidades como St. Louis, Oklahoma City, Albuquerque e Flagstaff, onde o conforto é mais previsível. Em faixa estimada, a diária de um motel simples fica em aproximadamente US$ 60 a US$ 110, e a de um hotel de rede em cidade grande, entre US$ 90 e US$ 180, com variação por local e época.

Paradas que rendem foto e boa história

O que mais aparece nos roteiros: museus sobre a história da estrada, esculturas e letreiros marcantes, trechos do Painted Desert no Arizona e cidades que mantêm o comércio e a arquitetura de meados do século 20. Dois exemplos conhecidos são o Cadillac Ranch, no Texas, e a Blue Whale de Catoosa, em Oklahoma.

Se sobrar tempo, considere um desvio até o Grand Canyon, não muito longe de alguns pontos da rota. Ele alonga a viagem, mas quem já fez costuma contar que valeu o esforço. Antes de colocar qualquer parada na lista, confira nos sites oficiais o horário de funcionamento e possíveis taxas de entrada.

Cuidados no deserto e segurança no volante

Quando pegar o carro, olhe o estado dele com atenção, abasteça com frequência e deixe água e itens essenciais no banco de trás. Há trechos desérticos em que os postos de serviço ficam muito espaçados. Em partes do Novo México, do Arizona e do Texas o sinal de celular falha, então baixe o mapa para uso offline.

Olhe a previsão do tempo antes de cada etapa do dia, principalmente em invernos rigorosos ou nas tempestades de verão do Sudoeste, que às vezes provocam enchentes repentinas. O serviço nacional de meteorologia dos EUA publica previsões atualizadas que servem para consultar antes e durante a viagem.

Erros comuns

  • Correr com a rota inteira em poucos diasQuem subestima a distância acaba passando horas demais ao volante. Com pelo menos duas semanas, você distribui melhor as etapas e para sem pressa.
  • Depender só do GPSEm áreas rurais do Novo México, do Arizona e do Texas, o celular perde sinal. Deixe os mapas baixados antes de sair e evite ficar sem direção num lugar isolado.
  • Ignorar o clima de cada estadoO percurso passa por climas bem diferentes conforme a época. Veja a previsão da região antes de seguir, para não ser surpreendido por calor extremo, neve ou temporais.
  • Deixar a hospedagem para a última horaEm cidade pequena, os quartos acabam depressa quando há movimento. Reservar antes reduz a chance de chegar cansado e sem teto.
  • Deixar o tanque esvaziar no desertoEntre uma cidade e outra pode haver poucos postos. Abasteça sempre que o ponteiro baixar da metade e fuja do risco de parar no meio do nada.
  • Presumir que todo trecho antigo ainda existePartes da estrada original foram fechadas, trocadas por interestaduais ou mudaram de lugar. Consulte fontes especializadas antes de cada trecho para não perder tempo em desvios inúteis.

Perguntas frequentes

  • Preciso dominar o inglês para encarar a Rota 66?

    Fluência não é exigida. Ainda assim, saber o básico facilita a vida nas cidadezinhas, onde quase ninguém fala português e tanto as placas quanto os cardápios vêm só em inglês.

  • A Rota 66 continua sendo uma rodovia oficial?

    Não. Ela saiu do sistema federal de rodovias em 1985, mas boa parte do caminho antigo segue aberta como estrada estadual ou municipal, com placas de Historic Route 66.

  • Dá para fazer a Rota 66 sozinho com segurança?

    Muita gente viaja sozinha pela estrada. Mesmo assim, combine com alguém de fora o seu trajeto de cada dia e evite pegar trechos longos de deserto depois que escurece.

  • Por quais estados a Rota 66 passa?

    São oito: Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona e Califórnia. O percurso sai da beira dos Grandes Lagos e termina no litoral do Pacífico.

  • Posso percorrer só um pedaço da Rota 66?

    Pode, e é comum. Um recorte popular é o de Arizona e Novo México, que dá para juntar com parques nacionais da vizinhança.

  • Que carro devo alugar para a Rota 66?

    Um sedã ou um SUV compacto resolve quase todo o percurso. O asfalto cobre a estrada, então tração 4x4 não faz falta.

Fontes e referências

Esta página foi escrita pela Redação Drosepro, que parte de fontes oficiais para cada guia. O passo a passo do nosso trabalho está na página de metodologia e fontes.

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